Francisco da Silveira Bueno

Nascimento: 1898 SP
Poeta, jornalista, contista, filólogo e professor.
Principais Obras: Estudos de Filologia Portuguesa (1946), Estilística Brasileira (1964)

Jornal de Filologia Índices das Revistas Filológicas


1. O conjunto da obra

            São 13 os volumes do Jornal de Filologia, tendo  o primeiro sido lançado em julho de 1953 e o último, no biênio 1960/1961. Em relação à sua organização, percebemos que essa não obedece a uma criteriosa enumeração, nem rigorosa especificação dos fascículos. da capa, abaixo no nome da obra. A partir do 4º exemplar  os Jornais passaram a receber seu  número, em negrito preto, tipo 24,  tanto no centro, quando na lombada do volume. Além disso, foi introduzido o termo “ fascículo”, que passou também a ser enumerado.

Outro fato curioso é o relativo à paginação: nos exemplares de nºs.  1 e 2, ela se sucede, ou seja, vai da página 1 a 88 ( 1º volume) e 89 a  202 (  no 2º). No 3º  inicia-se nova paginação que continua até o 6º, chegando  à 412 ( Fascículo 4)( Lembremo-nos que não há rigor na enumeração dos exemplares e esse fascículo corresponde ao de nº 6). No sétimo inicia-se novamente outra paginação, que continua até o  9º, chegando à página 275 ( Fascículo I ( sic !). Mais um dado curioso: constatamos a presença de um índice somente ao final do exemplar nº 2 do volume I.

Já os Jornais de nºs. 10,11,12 e 13 possuem paginação individual,  ou seja,  o de número 10 tem oitenta e três  páginas, o 11, setenta e cinco; o 12, cento e quinze;  e o 13, setenta e nove.

             Esse veículo de divulgação científica perdeu sua trimestralidade a partir do final de seu  terceiro ano, passando a ser de publicação ora trimestral, ora  semestral, até 1956 e,   a seguir,  anual.  Além disso,  não houve os Jornais de 1957 nem de 1959;  e o último número, saído no biênio  1960/1961,  apresenta capa, artigos e noticiário um pouco  diferentes dos até então lançados.

            Por último, quanto à forma, cada volume  foi publicado em  papel jornal, com capa num  similar ao atual papel couchê de baixa gramatura, em pontilhado colorido em tom pastel, com título em caixa alta, também  num fundo branco.

2. Seus idealizadores, organizadores, diretores, colaboradores e editores

            A  idealização e direção do Jornal de Filologia coube ao Prof. Silveira Bueno,  que foi professor titular , de 1939 até a década de 60,  na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, na ocasião situada à Rua Maria Antonia, 294, em São Paulo.             Autodidata na área, teve,  como muitos de seus contemporâneos, formação clássica. Foi seminarista, professor da Escola Normal Modelo, situada na Praça da República e autor de uma série de livros didáticos, como Páginas Floridas, A Arte de dizer, A Arte de Escrever e A Arte de Falar em Público. Concorreu em 1939 ao concurso de provimento de cátedra na Universidade de São Paulo. Aprovado dentre outros dois concorrentes, passou a desenvolver  ali o magistério  por cerca de 30 anos, até sua aposentadoria compulsória.

Para atender às necessidades do curso, o professor publicou, ou fez publicar, outras inúmeras obras, dentre elas o Jornal objeto de nossa análise. Tinha, para esse fim específico, como secretários a Profª Dra. Dinorah da Silveira Pecoraro e o Prof. Dr.  José Cretella Júnior. À Saraiva S. A  - Livreiros Editores coube a edição da obra, que foi distribuída em sete capitais: em São Paulo, pela Livraria Acadêmica; no Rio de Janeiro, pela Alberjano Torres; em Belo Horizonte, pela José Cândido Nascimento; em Recife, por I. Batista de Oliveira; em Salvador, por Florêncio de Matos; em Curitiba por F. de Souza Pinto e em Porto Alegre, pela Organização Sulina de Representação Ltda.

            Muitos e de várias cidades brasileiras foram os estudiosos que contribuíram com o professor Silveira Bueno e com o Jornal de Filologia, citamos como exemplo: o Prof. Antenor Nascentes, da Universidade do Distrito Federal; o Prof. Augusto Magne, da Universidade do Brasil; o Prof. Herbert Baldus, do Museu do Ipiranga, Prof. I.N. Salum, da Universidade de  São Paulo. O Prof. Cândido Jucá Filho, do Colégio Pedro II;  o Prof. Serafim da Silva Neto, da Universidade Católica ambos do Rio de Janeiro; e o Prof. Mansur Guérios, da Universidade do Paraná. Esclarecemos que na imensa lista de colaboradores incluída na  sua última contra capa  constava  a observação de que aquela não se tratava de uma relação definitiva.

            Acrescentamos que o Jornal possuía em torno de 6 seções, algumas permanentes, outras, nem tanto, como veremos a seguir.

3. Os objetivos e as seções do Jornal de Filologia

            No primeiro volume, o Prof. Silveira Bueno especifica  o objetivo desse Jornal e  as seções que o constituiriam, afirmando que a revista pretendia divulgar estudos de filologia tomando o vocábulo em seu mais “ vasto sentido”.

            Salienta ainda nesta apresentação que no vasto campo da observação lingüística, tudo ainda estava para se fazer em nossa pátria, já que havia aqui 53 milhões de habitantes, uma miscigenação variada, um rico folclore nacional ou adaptado, lutas,  superstições e uma riquíssima poesia popular. Informa-nos que de todo esse material se serviria a obra e que, às vésperas da comemoração do 4º Centenário de São Paulo pretendia ser mais uma “afirmação do espírito batalhador” do povo paulista.

            O primeiro volume está assim constituído: Apresentação;  Artigos ( em número de 5, sendo o primeiro do próprio Silveira Bueno), Filólogos Brasileiros, Transcrição, Revista e Livros e ao final, propagandas de obras e livrarias. Os demais exemplares, exceto o 13º,  seguem o modelo desse primeiro (excluída a Apresentação)  com poucas alterações, as mais sensíveis relacionadas à ordem de disposição das seções.

            Os artigos, escritos pelos colaboradores, ora em português, ora em inglês, francês ou espanhol,  constituíam a grande parte do Jornal. Abrangendo praticamente todas as subáreas da filologia e da lingüística, como filologia românica, latim histórico, dialetologia, morfossintaxe, semântica, fonologia, lexicologia, história das línguas e estilística,  eram em torno de 5 e tinham em média 3 a 4 páginas. Alguns, maiores, eram  publicados em partes, ou seja, começavam em um número e eram finalizados no subseqüente.

Curioso, esclarecedor e iniciado no Volume II, nº 1 de Janeiro a março de 1954  e presente em todos os demais  volumes do Jornal, o Dicionário do português arcaico  do Prof. José Cretella Junior não evoluiu da letra –a-.

 Muitos outros  foram os estudiosos que colaboraram com importantes artigos nessa seção, dentre eles, destacamos  professores: Artur Ramos de Almeida Torres, Robert Henri Aubreton e  Dinorah Pecoraro.

            Na seguinte seção,   “Filólogos Brasileiros”,  os mais importantes  estudiosos foram, com muita justiça,  homenageados por Silveira Bueno, por exemplo:  Otoniel Mota, Mario Barreto, Maximino Maciel, Heráclito Graça, Fausto Barreto, Rui Barbosa e Eduardo Carlos Pereira. No último exemplar do Jornal, Dinorah Pecoraro homenageia Serafim da Silva Neto, momento em que também noticia sua morte.

         A seção chamada pelo diretor de “Transcrição” esteve presente nos 12 primeiros volumes do jornal. Uma outra,  intitulada  “Crítica de Livros”, trazia, em média, a análise de dez obras e,  embora a grande parte dessas resenhas  tenha sido escrita pelo próprio diretor do jornal, contou também com a colaboração de outros estudiosos, como Antenor Nascentes e Dinorah Pecoraro. Muitos foram os pesquisadores, brasileiros e estrangeiros, que passaram pelo  crivo dos articulistas. Dentre os primeiros destacamos: Ismael da Silva Coutinho, Aires da Mata, Serafim da Silva Neto e Joaquim Mattoso Câmara Júnior; dentre os segundos, citamos: Raimond Sayers, do Hispanic Institute de Nova Iorque; Albert Blaise, de Strasbourg;  Göran Hammarström da Faculdade de Letras da Universidade de Colômbia. Até a tese de   doutoramento de D. Paulo Evaristo     Arns ( arcebispo de São Paulo por vários anos) foi criteriosamente avaliada por Silveira Bueno.  

Interessante aqui ressaltar que essas críticas foram – na maioria das vezes – extremamente duras e mordazes. Silveira  Bueno não se intimidava frente a uma obra que julgasse “inferior”, chamando-a por exemplo de: ensaio de largo espírito infantil, sem cunho científico ( Vol.  6, p. 390), ou  de  obra enferma (idem, p. 382), ou de tentativa de biografia ( Vol. 5, p. 296), ou ainda de  estudo lacunoso ( Vol. 12, p. 97).  Entrementes,   quando uma era elogiosa, seu analista não fazia parte dos  colaboradores habituais dessa parte do Jornal. 

            Na seção “Revistas” os editores além de  acusar o recebimento de vários exemplares, nacionais e estrangeiros,  propagavam os recém lançados, especificando sua direção, origem, apresentação e formatação.

            A última parte do Jornal “Publicações Recebidas” destinava-se tão somente a acusar o recebimento de obras para análise.

            É importante esclarecer que algumas seções    ocorreram só em alguns números, como “ Falecimentos” , observada apenas nos Jornais nº 2, anno I, Volumes I e nº 1, anno I, Volume II.  O primeiro divulgou o passamento de Jakob Jud, Amado Alonso, Giorgio Pasquali e Francesco Ribezzo. O segundo,  o falecimento tanto de Américo Brasiliense de Moura, quanto do Prof. Said Ali. Em ambos os casos, além da nota do passamento, foi apresentada uma pequena biografia dos estudiosos.  No volume 12 do Jornal, vimos também uma seção intitulada “ In memorian” , na qual se fez  publicar o texto  O indianista Ambrogio Ballini escrito por Jorge B. Stella.  Já no volume 13, a nota de falecimento do Prof. Sever Pop  é dada, sem ter sido encimada por qualquer título.

            Alguns volumes do Jornal apresentaram uma seção ora intitulada  “Noticiário”, ora “Notícias”, ora ainda “Crônica” objetivando em todos os casos  veicular informações da área de Lingüística: datas de defesas de teses, lançamentos de obras importantes e informações a respeito de simpósios, encontros e congressos. É nessa seção que vemos registradas, por exemplo, informações a respeito do tão importante 1º Congresso de Dialetologia e Etnografia ocorrido no Brasil na década de 50.

            Outrossim, como já falamos, no final do Jornal, somente até o volume 9, vinham páginas dedicadas à publicidade . Nelas, livros de diferentes gêneros eram divulgados. Nessas páginas, exemplares de Código Civil e do Comercial Brasileiros   eram propagados ao   preço   de CR$ 140,00 ( Volume 9 ). Uma obra perfeita para o conhecimento do idioma, a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, do próprio Silveira Bueno, não podia deixar  de constar nessas páginas, e até mesmo volumes do romance  Ele te dominará,  de Ondina Ferreira, foi ali  oferecido ao consumo dos leitores ávidos de paixão.

            O sumário da obra era apresentado em sua primeira contra-capa, na segunda vinha a relação de colaboradores, o lugar de redação ( Faculdade de Filosofia Ciências e Letras), nome e endereço dos editores e  preços dos exemplares.

  

Introdução

Índices do Jornal de Filologia

Coordenadora:
Leonor Lopes Fávero (USP)

Indexadoras:
Márcia Antônia Guedes Molina (UNISA)
Maria Lúcia da Cunha Victório O. Andrade (USP)
Zilda Gaspar de Oliveira Aquino  (UNITAU)

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